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Fernando Pessoa (1888-1935) Cronologia
de vida Poesia Selecionada Lisbon Revisited (1926)
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Cronologia de FERNANDO PESSOA 1888 No dia 13 de junho, às 15 h 20, sob o signo de gêmeos, nasce
Fernando Antônio Nogueira Pessoa, no quarto andar esquerdo do nº 4 do Largo
de São Carlos em Lisboa, Portugal. São seus pais Maria Magdalena Pinheiro
Nogueira, natural da Ilha Terceira, nos Açores, de vinte e seis anos, e
Joaquim de Seabra Pessoa, natural de Lisboa, de trinta e oito anos, modesto
funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do jornal
Diário de Notícias. 1895 Em janeiro nasce o seu irmão Jorge. Em julho Pessoa fica órfão
de pai, Joaquim de Seabra Pessoa, que morre vítima de tuberculose pulmonar, A
família, depois de leiloar parte de seus pertences, muda- se de residência. 1894 Em janeiro morre seu único irmão Jorge. Nesse período Fernando
Pessoa cria seu primeiro heterônimo, o Chevalier de Pas. 1895 Escreve sua primeira poesia, À Minha Querida Mamã. Nesse mesmo
ano sua mãe casa por procuração com o comandante João Miguel Rosa, Cônsul de
Portugal em Durban, na colônia inglesa de Natal. 1896 Parte, em janeiro, com sua mãe e um tio avô para Durban, na
África do Sul. Em outubro nasce sua irmã Henriqueta Madalena. 1897 Faz o primário na escola de freiras irlandesas da West Strect. Alcança a equivalência de cinco
anos letivos em apenas três anos. 1898 Nasce em outubro a sua irmã Madalena Henriqueta. 1899 Em abril ingressa na Durban High School onde permanecerá durante três anos,
revelando-se um dos melhores alunos do seu curso. Cria o heterônimo Alexander
Search. 1900 Nasce em janeiro o seu irmão Luis Miguel. 1901 Em junho é aprovado com distinção no seu primeiro exa- me, o
"Cape School Higher Certificate Examination". Neste mês morre sua
irmã Madalena Henriqueta. Escreve as primeiras poesias em inglês. Em agosto parte com a família para Portugal, em viagem de
férias. Permanecem em Lisboa por alguns meses. 1902 Nasce em janeiro, em Lis- boa, o seu irmão João Maria. Em maio, Fernando Pessoa visita a Ilha Terceira, nos Açores,
onde vivem os parentes maternos. Escreve a poesia Quando Ela Passa. Sua família regressa em junho para Durban. Fernando Pessoa volta
sozinho para a África do Sul em setembro. Matricula-se na Commercial School. Tenta escrever romances em inglês. 1905 Freqüenta o curso noturno da Commercial School. Durante o dia
prepara-se nas disciplinas humanísticas para o exame de
admissão à Universidade. Em novembro presta o exame de admissão à Universidade do Cabo da
Boa Esperança. Obtém uma classificação relativamente baixa, mas ganha o
prêmio "Queen Victória Memorial Prize" pelo melhor ensaio de estilo
inglês. A essa classificação concorriam 899 candidatos. 1904 Ingressa novamente na Durban High School, para continuar o
Headmaster Nicolas. Freqüenta a Form VI (correspondente ao primeiro ano de (
um curso universitário). Lê Shakespeare, Milton, Byron Shelley,
Keats, Tennyson e Poe. Interessa-se
por Carlyle Aprofunda sua cultura clássica. Escreve poesia e prosa em inglês. Surgem os heterônimos Charles Robert Anon H.M.F. Lecher. Em agosto nasce a sua irmã
Maria Clara. Em dezembro publica no jornal da escola um ensaio crítico
intitulado Macaulay. Faz o "Intermediate Examination in Arts" na
Universidade do Cabo, obtendo bons resultados. Com este exame terminam seus
estudos na África do sul. 1905 Volta sozinho e definitivamente para Lisboa. Mora na casa de parentes e continua a escrever poesias em inglês. 1906 Matricula-se no Curso Superior de Letras. Em outubro a mãe e o padrasto voltam a Lisboa de férias, e
Fernando Pessoa vai morar com eles e
os irmãos. Em dezembro morre, em Lisboa, a sua irmã Maria Clara. 1907 Sua família retorna a Durban, Pessoa vai viver com uma avó
louca, Dionísia, e duas tias solteiras. Desiste do curso de Letras. Lê os filósofos gregos e alemães; os
decadentes franceses e La Dégénérescence, de Max Nordau, que segundo ele
"destrói parte de toda esta influência". Em agosto morre a avó Dionísia deixando-lhe uma pequena herança.
Com o dinheiro Pessoa monta uma tipografia, a Empresa Ibis - Tipografia e
Editora, que mal chega a funcionar. Começa a alimentar a grande ambição de tornar-se poeta e
voltar-se exclusivamente para a criação de uma possível obra. Recusa a oferta de bons empregos por os mesmos incluírem
obrigações de horários que poderiam servir de empecilho à realização de sua
obra literária. 1909 Começa a trabalhar como correspondente estrangeiro de firmas
comerciais sediadas em Lisboa. Vai morar sozinho num quarto alugado. Influencia-se pelos poetas portugueses Antero de Quental,
Junqueira Freire, Cesário Verde, Antônio Nobre, Almeida Garret e Antônio
Correia de Oliveira. Escreve os primeiros fragmentos de Fausto. Neste ano são
assassinados o Rei D.
Carlos e o Príncipe Herdeiro. 1910 Escreve poesia e prosa
em português, inglês e francês, com declarada influência dos
simbolistas franceses e de Camilo Pessanha. A 5 de outubro é proclamada a República. Em dezembro é fundada no Porto a revista A Águia. 1911 Aceita traduzir para português uma Antologia de Autores
Universais dirigida por um editor americano e destinada a ser publicada no
Brasil. 1912 Em janeiro é fundada no Porto a Renascença Portuguesa, a revista
A Águia torna-se o órgão desse movimento. Em abril Fernando Pessoa estréia como crítico literário: Publica
na A Águia dois polêmicos artigos, “A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente
e Psicologicamente Considerada” em que prevê o surgimento de um novo
"Supra-Camões". Seus textos,suscitam uma vasta controvérsia que se
exprimiu sobretudo no jornal República, através de um Inquérito Literário,
além de desagradar os próprios
participantes do movimento. movimento. Conhece o poeta Mário de Sá-Carneiro, que se tornará seu melhor
amigo. Em outubro Sá-Carneiro parte para Paris e matricula-se na Sorbonne.
Têm início a febril correspondência entre os dois amigos, e através dela será
revelado a Pessoa a insurreição futurista de Marinetti (iniciada em, 1909,
quando o italiano Filippo Tommaso Marinetti lança na Itália e na França o
primeiro dos seus mais de trinta manifestos), a primeira manifestação de
vanguarda de nosso século e que desencadearia todo o modernismo. 1915 Período de intensa atividade criadora, crítica e de polemista.
Continua colaborando para A Águia e também para a revista Teatro. Escreve Epi
thalamium, Hora Absurda, O Marinheiro. É um período intenso de discussão e
troca de idéias com os jovens artistas de sua geração. Conhece o pintor
Almada Negreiro, Armando Côrtes Rodrigues, os brasileiros Luis de Montalvor e
Ronald de Carvalho e Santa Rita Pintor
Formaria com eles e Sá-Carneiro o grupo explosivo que introduziria o
modernismo em Portugal. 1914 Publica em A Renascença, número único, Pauis e O Sino da Minha A
Idéia, sob o título de Impressões do Crepúsculo. A 8 de março, considerado para Pessoa o dia “Triunfal” de sua
vida, concebe seu famoso heterônimo, Alberto Caeiro. Em nome deste escreve poemas
do Guardador de Rebanhos. Em seguida e quase em resposta a Caeiro, escreve em
seu próprio nome os seis poemas de Chuva Oblíqua. Inventa sucessivamente
Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Sá-Carneiro regressa a Portugal e traz consigo toda a efervescência
dos "ismos" europeus. Pessoa e Carneiro juntos criam duas novas
correntes literárias, o "Paulismo" (sugerido a partir do nome Pauis
da composição de Pessoa) e o "Sensacionismo". Em outubro deste ano tem início as reuniões na Cervejaria
Jansen, do grupo de que sairá Orpheu, revista que com apenas dois números
será a responsável pela introdução da vanguarda em Portugal, e dos
heterônimos pessoanos. Fernando Pessoa atravessa uma profunda crise depressiva e
escreve desconexos e fragmentados trechos de seu Livro do Desassossego de
Bernardo Soares, um semi-heterônimo que lhe surgiu. Inicia a Primeira Grande Guerra Mundial. 1915 Sai em março primeiro de
Orpheu, acolhida com irritação e zombaria pela crítica e pelo público,
trazendo entre outras coisas O Marinheiro de Pessoa e Opiário e Ode Triunfal,
de Álvaro de Campos. São seus
diretores Luís de Montalvor e Ronald de Carvalho. Os outros colaboradores são
Mário de Sá-Carneiro, Alfredo Pedro Guisado, José de Almada Negreiros e
Armando Côrtes Rodrigues. Sai em junho o segundo número de Orpheu, tendo como diretores
Mário de Sá-Carneiro e o próprio Fernando Pessoa. É publicado deste o poema
Chuva Oblíqua e de Álvaro de Campos a Ode Marítima. Em julho o jornal A Capital publica uma nota sarcástica contra o
grupo da Orpheu, e Álvaro de Campos em resposta envia a seu diretor uma carta
irreverente. Alguns membros da revista, indignados, também discordam da atitude de Álvaro de Campos, abandonam
Orpheu; Sá-Carneiro e Alma da Negreiros também discordam da atitude de Álvaro
de Campos. Sá-Carneiro volta para Paris e em setembro escreve a Pessoa
avisando que por motivos econômicos o projeto de Orpheu 3 não poderá sair. 1916 Pessoa publica na revista Exílio o poema Hora Absurda. A 26 de abril, Sá-Carneiro suicida-se em Paris, no Hotel de
Nice. Deixa um bilhete a Pessoa: "Um grande, grande adeus do seu amigo Mário de Sá-Carneiro. " Fernando Pessoa muda freqüentemente de habitação. Sempre sozinho
de quarto em quarto alugado. Em setembro escreve a seu amigo Côrtes Rodrigues anunciando-lhe
a próxima saída do terceiro número de Orpheu, mas isto jamais acontecera. Em
dezembro publica no número único de Centauro de Luís de Montalvor os quatorze
sonetos de Passos da Cruz. 1917 O governo português intervém na Guerra, enviando um corpo
expedicionário para a frente francesa. Em seus textos pessoais, o poeta deixa
refletido suas angústias acerca do conflito mundial. Sai em novembro o primeiro e único número de Portugal Futurista
com poemas de Fernando Pessoa e o Ultimatum de Álvaro de Campos. Alguns meses
antes Almada Negreiro (editor da revista) dá uma conferência, Ultimatum
Futurista às Gerações Portuguesa do
Século XX, no Teatro
República. 1918 Pessoa publica os poemas ingleses Antinous e 35 Sonnets que em
setembro serão objetos de uma discreta atenção da crítica inglesa no Times e
no Giasgow Herald. Portugal passa por uma profunda crise política. 1919 Escreve os Poemas Inconjuntos de Alberto Caeiro, com a data
fictícia de 1913/1914, por coerência diacrônica com a biografia do
heterônimo, morto em 1915. Falece seu padrasto, o cônsul João Miguel Rosa.
Pessoa dedica-se a escrever ensaios políticos. Publica em Acção, órgão do
Núcleo de Ação Nacional, os textos Como Organizar Portugal e A Opinião
Pública. 1920 Conhece a funcionária ao comércio, Ophélia Queiroz, com quem
começa a namorar. Sua mãe e irmãos voltam a Portugal, o poeta então vai viver com
eles. Participa frequentemente, com o nome de A.A. Crosse, nos concursos de
charadas, da revista inglesa Times. Em outubro atravessa uma grande depressão psíquica e pensa
internar-se numa casa de saúde. Em novembro interrompe o namoro com Ophélia,
mas não será definitivo. 1921 Funda a Èditora Olisipo, de desastrosa carreira comercial. Nela
publica os seus English Poems I e II
e English Poems III e A Invenção do Dia Claro de Almada Negreiros. 1922 Colabora com freqüência na revista Contemporânea. Publica em seu
primeiro número a novela o Banqueiro Anarquista. Sua editora publica a segunda edição das Canções de Antônio
Botto. 1923 A Olisipo lança o folheto Sodoma Divinizada de Raul Leal, que é
alvo do ataque mo- ralizador da Liga dos Estudantes de Lisboa. O texto é
apreendido, por ordem do Governo Civil, junto com as Canções de Antônio
Botto. Álvaro de Campos publica em defesa dos amigos os artigos Sobre Um
Manifesto de Estudantes e Aviso por Causa da Moral. Continua sua colaboração na revista Contemporânea. Assina, em julho, o protesto de intelectuais portugueses contra
a proibição feita pela censura a Mar
Alto de Antônio Ferro. 1924 Sai o primeiro número aa revista Athena, que Pessoa dirige com o
pintor Ruy Vaz. 1925 Sai o 5º e último número de Athena. No dia 17 de março falece em Lisboa a mãe do poeta. 1926 A 28 de maio dá-se o golpe militar que instala a ditadura em
Portugal. Nesse ano Pessoa dirige junto com seu cunhado, o Coronel
Francisco Caetano Dias, a revista Comércio e Contabilidade, onde publicará o
artigo A Essência do Comércio. 1927 Sai em março o primeiro número de Presença. No terceiro número
da revista o poeta José Régio reconhece em Pessoa o Mestre da nova geração 1928 Antônio de Oliveira Salazar é nomeado Ministro das Finanças. Pessoa publica os panfletos O Interregno. Defesa e Justificativa
da Ditadura Militar em Portugal e o artigo
O Provincianismo Português. Junto com alguns amigos funda uma nova editora, A Solução
Editora, que terá pouca duração. 1929 Organiza com Antonio Botto uma Antologia de Poetas Portugueses
Modernos. Retoma o namoro com Ophélia, e pensa inclusive na possibilidade
de se casar. Sai o primeiro estudo crítico sobre a poesia de Pessoa, de
autoria de João Gaspar Simões. 1930 Recebe em Lisboa a visita do famoso mago inglês Aleister
Crowley, que depois desaparece em circunstâncias misteriosas em Cascais.
Sobre o episódio Pessoa é entrevistado no jornal Notícias Ilustradas. Intenso período de criação heteronímica. 1931 Publica na Presença a tradução do Hino a Pã de Aleister Crowley.
Escreve uma carta a João
Gaspar Simões na qual teoriza suas opiniões sobre a "ficção" em
literatura e manifesta um substancial e irônico desacordo em relação às
teorias freudianas. Interrompe definitivamente sua relação amorosa com Ophélia. 1932 Concorre a um lugar de conservador bibliotecário no
Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães, em Cascais, mas não é aceito. Em novembro publica na revista Fama o artigo O Caso Mental
Português. 1933 Passa por nova crise psicológica, mas não desiste do trabalho
literário. Copia os originais de Indícios de Oiro de Mário de Sá-Carneiro a
fim de ser editado na Presença. 1934 Concorre com seu livro Mensagem ao prêmio "Antero de
Quental" do Secretariado de Propaganda Nacional. Ganha o segundo lugar
por uma pretextuosa questão de número de páginas. O primeiro prêmio é
conferido ao sacerdote Vasco Reis pelo volume Romaria. O júri é composto por
.Alberto Osório de Castro, Mário Beirão, Acácio de Paiva e Teresa Leitão de
Barros. 1935 Em janeiro escreve uma extensa carta a Adolfo Casais Monteiro,
um dos integrantes da Presença, onde explica a gênese da heteronímia. No dia 29 de novembro é internado no Hospital São Luís dos
Franceses onde lhe é diagnosticada uma cólica hepática. Fernando Pessoa morre
no dia 30 desse mesmo mês, deixando uma última frase escrita em inglês:
"I know not what tomorrow will bring." |