Machado de Assis (1839-1908)

 

Biografia

 

 

Contos Selecionados

 

- A Igreja do Diabo

    Capítulo I

     Capítulo II

      Capítulo III

       Capítulo IV

 

- A Segunda Vida

- Noite de Almirante

- O Espelho

- Singular Ocorrência

 

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Machado de Assis (1839 - 1908)  

 

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 no Morro do Livramento(RJ) e teve todas às condições favoráveis para dar errado na vida: pobre; filho de um pintor de paredes com um lavadeira portuguesa; neto de escravos alforriados; e, ainda por cima, epilético. No entanto, graças a seu talento e a uma enorme força de vontade, superou todas essas dificuldades e tornou-se em um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

A infância de Machado de Assis não foi nada fácil. Perdeu sua única irmã quando tinha apenas seis anos, quatro anos depois sua mãe morreu e, passado algum tempo, perdeu o pai. Para sobreviver, ajudou a madrasta a vender doces.

  

 

Face a antas dificuldades não é de se estranhar que não tenha freqüentado regularmente a escola. Sua instrução veio por conta própria, graças ao interesse que tinha em todos os tipos de leitura.

 

Aos 16 anos empregou-se na tipografia de Paula Brito, onde era publicado o jornal "Marmota Fluminense". Em 21 de janeiro de 1855, Machado publicou, nesse jornal, o poema "Ela". Nada de excepcional, era apenas a sua estréia no mundo literário. A partir daí sua carreira teve uma rápida ascendência e em pouco tempo passou a ser colaborador em vários jornais da época. O escritor Machado de Assis ganhava popularidade e cada vez mais se distanciava de Joaquim Maria, menino do subúrbio. Nas roupas, na postura, na expressão. Os meios literários da Corte tornavam-se, pouco a pouco, terreno conhecido para ele e ele tornava-se cada vez mais conhecido nesse terreno.

 

Em 12 de novembro de 1869 casou-se com Carolina Xavier de Novais, irmã de um poeta famoso na época. Esse casamento ocorreu contra a vontade da família, uma vez que Machado era Mulato e ainda não era muito famoso. Essa união durou cerca de 35 anos e casal não teve filhos. Em 1873 foi nomeado primeiro oficial da secretária de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras públicas. A sua carreira burocrática teve uma ascensão muito rápida, uma vez que em 1892 já era Diretor Geral do Ministério da Viação. O emprego publico garantiu a estabilidade financeira de Machado de Assis, uma vez que viver de literatura naquela época era muito difícil, mesmo para os grandes escritores.

 

Em 1897 Machado foi eleito o presidente da recém fundada Academia Brasileira de Letras, também conhecida como casa de Machado de Assis. Por volta de 1904 sua mulher faleceu, causando profunda tristeza no escritor. Depois disso, raramente ele saia de casa e sua saúde foi piorando por causa da epilepsia. Os problemas nervosos e uma gagueira progressiva contribuíram ainda mais para o seu isolamento. Em 29 de setembro de 1908 Machado de Assis faleceu em sua casa situada na rua Cosme Velho.

 

Machado de Assis escreveu romances, crônicas, poesias, peças de teatro e muitos artigos de jornais. A sua obra é geralmente é dividida em duas fases distintas: a primeira fase, também chamada de fase romântica ou de amadurecimento, é caracterizada por apresentar alguns traços das escola Romântica; já a segunda fase, conhecida como fase realista ou de maturidade, revela um escritor totalmente envolvido com os ideais Realistas.

 

Dentro dessas fases pode-se ainda dividir a obra de Machado em poesia e prosa. A poesia da primeira fase possuí características tipicamente Românticas e revelam um poeta fortemente influenciado por Gonçalves Dias. Já a poesia da segunda fase nos mostra um poeta que cultua o conceito da "arte pela arte", pois tem uma extrema preocupação formal, ou seja, nessa segunda fase temos um poeta totalmente envolvido pelos ideais Parnasianos.

 

A primeira fase da prosa machadiana, que engloba sua produção até o ano de 1880, pode ser considerada como um período autenticamente Romântico, embora o seu Romantismo não seja tão sentimental e os seus personagens não sejam tão lineares como os dos demais autores desse período. No entanto, sua narrativa ainda é muito linear, ou seja, tem começo, meio e fim bem demarcados. A segunda fase da prosa de Machado de Assis inicia-se com a publicação de "Memórias Póstumas de Brás Cubas". Nessa fase fica claro o amadurecimento do escritor. Seus personagens, mais elaborados, são construídos sob a ótica da psicologia e nos revelam o egoísmo, o pessimismo e o negativismo do ser humano. Machado evoluiu também na técnica de composição: as suas frases e os capítulos de suas obras passaram a ser curtos e a preocupação em se estabelecer uma "conversa" com o leitor passou a ser mais freqüente. Além disso, nessa fase temos ainda a ironia, o estudo da alma feminina, a análise mais apurada da sociedade brasileira da época e uma severa crítica aos valores Românticos.

 

A marca registrada de Machado Assis era o seu estilo sutil e irônico. Suas crônicas são atuais até hoje, pois remetem a reflexões profundas de fatos corriqueiros, tocando na essência daquilo que observava com um meio riso de contemplação e quase sempre esse riso traz, implícita ou explicitamente, uma advertência. Em Machado de Assis, o fato em si tinha menor importância, o que interessava era a reflexão que esse fato provocava.

 

A principais obras de Machado de Assis são as seguintes:

 

Poesia: Crisálidas (1864); Falenas (1870); Americanas (1875); Poesias completas (1901).

 

Romance: Ressurreição (1872); A mão e a luva (1874); Helena (1876); Iaiá Garcia (1878); Memórias póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1899); Esaú e Jacó (1904); Memorial de Aires (1908).

 

Contos: Contos fluminenses (1870); Histórias da meia-noite (1873); Papéis avulsos (1882); Histórias sem data (1884); Várias histórias (1896); Páginas recolhidas (1899); Relíquias de casa velha (1906).

 

Teatro: Queda que as mulheres têm para os tolos (1861); Desencantos (1861); Hoje avental, amanhã luva(1861); O caminho da porta (1862); O protocolo.(1862); Quase ministro (1863); Os deuses de casaca (1865); Tu, só tu, puro amor (1881).