Manuel Bandeira  (1886-1968)

 

 

 

Biografia

 

Poemas selecionados:

 

A Morte Absoluta

Andorinha

Arte de Amar

Auto-Retrato

Belo Belo I

Belo Belo II

Enquanto a Chuva Cai

Evocação do Recife

Irene no Céu

Minha Grande Ternura

Noite Morta

O Bicho

O Último Poema

Os Sapos

Pneumotórax

Poema do Beco

Poética

Profundamente

Trem de Ferro

Vou-me embora pra Pasárgada

 

 

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Noite Morta

 

 

 

 

Noite morta.

 

Junto ao poste de iluminação

 

Os sapos engolem mosquitos.

 

 

 

Ninguém passa na estrada.

 

Nem um bêbado.

 

 

 

No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras.

 

Sombras de todos os que passaram.

 

Os que ainda vivem e os que já morreram.

 

 

 

O córrego chora.

 

A voz da noite . . .

 

 

 

 (Não desta noite, mas de outra maior.)